É impressionante como hoje em dia tudo virou mercadoria e o pior, como somos agredidos diariamente por uma falsa publicidade que invade nossas casas sem pedir licença.
Sei que isso não é novidade pra ninguém. Muitos dos freqüentadores desse blog estudaram comunicação e sabem que essa é uma tecla mais que batida, apenas um dos diversos motivos da eterna briga entre jornalistas e publicitários e blá, blá, blá. Mas foda-se, a questão que irei colocar é outra: A porra do telemarketing.
Estava voltando da praia um dia desses (pode me chamar de vagabundo) quando sou surpreendido pelo telefone, corro e atendo:
_ Alo.
_Boa tarde senhor, gostaria de falar com o responsável pela linha telefônica.
_Pode falar comigo mesmo.
_Bem senhor a Telefônica vai estar disponibilizando (maldito gerúndio) para o senhor o detecta (deteta, deteca, não importa) , um serviço que.......(não parou mais de falar)
_Valeu, mas não estou interessado. (eu ainda tento ser educado)
_Mas senhor é para a sua segurança!
Ai o bicho pegou.
Até então tudo o que ela havia dito não era novidade, já tinha ouvido aquela balela outras vezes, mas essa era nova.
Ela disse que muitas quadrilhas estão ligando para as pessoas para saber sobre a vida intima como horário de trabalho e etc., e quando essas pessoas não estão elas invadem, ou ameaçam por telefone a família e por ai vai.... um papo muito ficção de morro carioca pra minha realidade de gafanhoto santista.
Essa é a nova tática de venda da Telefônica, usar o medo. Igualzinho mostra o documentário "Tiros em Colombine", do já pop e cult diretor Michael Moore. E eu que achava os gringos um bando de filhos das putas, os caras são futuristas isso sim, além de filhos das putas.
Concluindo, a indústria do medo tá chegando aqui galera, vamos tomar cuidado. O mais cômico é raciocinar o mínimo e ver que o detecta da Telefônica não ajudaria em nada se esse perigo fosse mesmo real, o que adianta ter o telefone do bandido? Talvez dê pra chamar ele pra comer uma pizza....é como diz o sábio e presidente Papagalli Sr. Silvério: "Má vá se fode".
A questão é que tem muita gente ignorante e inocente que não consegue ver a realidade diante do número enorme de informações que a vendedora vomita nelas, sempre com aquela voz erótica e "super" simpática. Infelizmente um número significativo de "enganados" acaba comprando.
Só que essa questão vai além da venda do aparelho, isso afeta a rotina das pessoas, o bem-estar, a falsa liberdade delas. Isso pode gerar uma população paranóica cada vez mais acuada e menos socializada.
Não acredito que isso seja uma visão pessimista que estou tendo do fato, mas quando o negócio envolve comunicação e muita grana, quase sempre dá merda.
Reclamem, não aceitem essa mentira, se o detecta fosse tão bom assim, podem ter certeza que a Telefônica não venderia. E isso não vale apenas para a espanholinha citada nesse texto, vale para qualquer forma de propaganda idiota.